LIVRO
– Luz da evolução
de toda cultura humana,
de todo o conhecimento
que serve de alicerce
e de construção
da história. Livro
edificante é sementeira
divina, que elucida o
passado, aclara o presente
e prepara o futuro. O
livro é o instrutor
do espírito, o
médico da ama,
o amigo do coração,
esclarecendo, amparando,
consolando, e tudo muito
bem, porque sem exigências,
sem ritos, sem ruídos.
Companheiro devotado de
todas as horas, da saúde
e da doença, o
livro é o arquiteto
do bem, fonte inesgotável
de bênçãos
de ensino e sabedoria.
O livro é arquiteto
e construtor, sol da claridade
do dia e estrela da paz
noturna, árvore
e fruto, flor que perfuma
e engrandece. Claro que
estou falando do bom livro,
o positivo, o bonito,
o bem feito, o livro mensageiro
do bem!
Nordeste – Saudade
– Livro
NORDESTE – Nordeste
das secas, polígono
de paisagem de simplicidade
e singeleza, ao mesmo tempo
pobre e rica de contrastes.
Nordeste que parece, mas
não é monótono,
monocromático, porque
possuidor de linhas bem
demarcadas, fortes e sensíveis
como o próprio sofrimento.
Sol e solo de alta temperatura,
cálidos, escaldantes.
Só se assinala o
verde quando em oposição
aos tons do ocre-amarelo,
do laranja de terra dourada.
O muito negro afronta o
excesso de luz, derramando
sombras por toda parte.
Nordeste de cactos e longes
serras, suavidade profunda,
distâncias sem fim
até aonde não
pode chegar a vista. Terra
e natureza mortas, vegetal
morto, morto o animal.
Nordeste, mais fim do que
começo, a não
ser o começo da fuga
constante, da tristeza,
da eterna dor do sempre
buscar o algo que não
se encontra. No primeiro
plano, junto ao espectador,
à presença
da morte, a ausência
da vida, que se foi. Nordeste.
Não é fácil
definir o sentimento de
saudade. E é talvez
por isso que ela só
exista, como palavra, na
língua portuguesa,
na semântica quase
mística do povo de
nossa raça, principalmente
do brasileiro, esta maravilhosa
mistura de sangue tropical,
fruto de três origens,
a branca, a negra e a tupi.
Saudade é dor que
sufoca o coração
e alegra a alma. Saudade
é a presença
do ausente. Saudade é
a lembrança do bem-querer,
um doce convívio
com a distância, uma
alegre e agradável
tristeza do ver-não-vendo,
do amar sem o objeto do
amor...